Cesar Baima e Catarina Alencastro, O Globo
O intenso terremoto que atingiu a costa nordeste do Japão foi um dos cinco maiores já registrados no mundo.
Caso seja mantida a magnitude preliminar estimada para o abalo, de 8,9 graus na escala Richter,a energia liberada pelo tremor seria o equivalente a mais de 300 milhões de toneladas de dinamite, ou a explosão simultânea de mais de 15 mil bombas atômicas como a que foi lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima em 1945.
- Este é um dos maiores níveis que um terremoto pode chegar - diz o professor João Willy Corrêa Rosa, do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), cujos instrumentos detectaram o abalo do outro lado do mundo.
- Nesse grau de tremor, se você estiver próximo ao epicentro não consegue ficar em pé. O chão fica parecendo uma folha de papel.
Segundo Rosa, as estatísticas apontam que um terremoto deste tamanho deve ocorrer uma vez a cada dez anos. Na última década, no entanto, já foram quatro: o desta quinta-feira no Japão; o de 8,8 graus de magnitude que atingiu a costa do Chile no ano passado; e dois na região da Ilha de Sumatra, na Indonésia, sendo um deles o abalo de 9,1 graus que provocou uma tsunami que matou centenas de milhares de pessoas pouco após o Natal de 2004.
- Isso pode ser um indicativo de uma maior atividade no interior da Terra - diz Rosa. - Mas não existem indicações de que o número de abalos menores aumentou, então é difícil ter certeza.
Mapas de satélite detalham formato irregular da Terra
Modelo mais preciso da atuação da força da gravidade na Terra vai ajudar na prevenção de catástrofes
Uma animação divulgada hoje (31) pela agência espacial européia (ESA, na sigla em inglês) mostra pela primeira vez a variação da força da gravidade na Terra e como ela deforma o planeta. O modelo vai auxiliar na melhor compreensão sobre o comportamento do planeta, suas marés, e, talvez, ajudar a prever fenômenos como terremotos e vulcões.
Os dados foram obtidos pelo satélite GOCE, lançado em órbita há dois anos. As cores mais frias, puxando para o azul, indicam onde a gravidade é mais fraca. As mais quentes, variando do vermelho ao amarelo, onde ela é mais forte.
A melhor compreensão das variações do campo gravitacional vai levar também ao entendimento mais detalhado do interior da Terra, como a física e a dinâmica associada aos vulcões e terremotos, que marcam o campo gravitacional do planeta. Estas "assinaturas" gravitacionais poderiam ser usadas para o estudo dos processos que conduzem a estas catástrofes naturais e, finalmente, ajudar a prevê-los.As imagens mostram com detalhes o chamado geoide, nome que os cientistas dão ao formato real do planeta, irregular e com a massa distribuída de maneira desigual. É possível também perceber detalhes da topografia do planeta, como a cordilheira dos Andes na América do Sul ou o formato dos continentes.
Os oceanos, por exemplo, estão retratados moldados apenas pela gravidade, sem a influência de correntes marítimas e marés. Segundo os cientistas, é uma referência essencial para medir a circulação de correntes, a mudança do nível do mar e da dinâmica do gelo, e das mudanças climáticas.
Satélite
O satélite GOCE (sigla para Explorador de Circulação Oceânica e Campos de Gravidade) foi lançado em março de 2009. Ele percorre o planeta na menor órbita atualmente para um satélite em operação, e mapeia diferenças quase imperceptíveis na força que a massa do planeta exerce em todas as pessoas e objetos.